Postagens

Orgasmo Santo: para fortalecer o sistema imunológico e afastar a virulência dos hipócritas

Imagem
S abemos que estes tempos não andam, absolutamente, felizes ou adequados para a festa que é lançar um livro novo. E lamentamos, não apenas pela necessidade de adiar os nossos lançamentos presenciais, depois de termos em mãos o resultado lindo com que ficou o Orgasmo Santo, mas também pelas notícias devastadoras que nos alcançam todos os dias e pelas mais recentes ameaças à saúde coletiva, chegadas numa altura do Brasil em que já tínhamos problemas demais com que se preocupar.  Pois bem, a inda assim, no meio dessa confusão e à sombra dessa ruma de coisa ruim que tem sucedido, o Orgasmo Santo  ficou pronto, tão divertido, querido e bonito quanto eu esperava que ficasse. Aos colaboradores e colaboradoras incríveis que o financiaram, a mensagem é esta: os livros  e as recompensas  já começaram a ser enviados, dentro das nossas possibilidades e respeitando as recomendações médicas de isolamento e quarentena que, vocês sabem, são importantíssimas para evitar a propagação do diabo

O sonho

Imagem
E xistem sonhos duma espécie aquosa e febril, eu diria, cuja umidade primeira absorve os calores segundos, unindo a noite ao dia, amanhecendo feito sol por entre as pernas e fazendo os olhos se abrirem junto com os céus. Foi assim ontem à noite, quando eu sonhei com você. Nesse tempo impossível de ser mensurado, cheio de cores difusas e granuladas, o meu corpo derretia pela tua boca, quando eu conscientemente te segurava os cabelos e te fazia ficar, meu sonho, eu pensava, aqui fazemos o que eu quero, estremecia, sorrindo dessa terra de ninguém que vive debaixo das pálpebras e para a qual criamos relevo, flora e fauna, a nosso gosto, quando temos a sorte da visita lúcida. Eu segurei o teu rosto e me apaixonei pelos teus olhos e cílios, você sabe como é se apaixonar num sonho? Desesperador, imagine, quando eu tentava distinguir o gosto dos teus lábios molhados e dentes e língua e o sabia impossível, impossível! Despertei em chama, mas sem gota de suor, resfriada pelo tempo

ORGASMO SANTO: O LIVRO

Imagem
Sobre o surgimento deste projeto, há mais de dez anos Ilustração de Bruno Marafigo para o livro Orgasmo Santo O Orgasmo Santo nasceu do meu corpo. Dos desejos dele, todinhos, mas também dos desejos que eu tenho para ele, que não são poucos e não têm fastio. Tudo começou quando eu ainda era uma adolescente virgem e evangélica que, viciada em Júlias, Biancas e Sabrinas, passou a escrever suas próprias histórias, cheias de fantasias eróticas. Meu primeiro blog, aos dezesseis anos, chamado Sex, prosa und schokolade , tinha textos divertidos e sonhadores com muitas referências a atividades sexuais que, até então, eu desconhecia (minhas amigas e jovens amores, àquela época, eram grandes entusiastas do projeto). Infelizmente, casei-me aos dezenove anos, numa clara e malsucedida tentativa de sair do jugo de minha doce e crentelha mamãe para a de um casamento ruim com um aborto gemelar espontâneo aos cinco meses e nenhum orgasmo feminino. Dois anos depois e após pagar pelo meu próp

Para não esquecer como nasceu o Inhamuns

Imagem
E stávamos deuses sobre uma cama enluarada, esfumaçados pela erva doce em combustão. "Tira uma foto", eu pedi, vaidosa pelo corpo nu acompanhado do cigarro, único ponto luminoso além dos astros que podíamos ver naquele céu predial. Foto-segredo que, achada dia desses, fez-me compreender a necessidade deste registro. Antes do amor, vieram os delírios, dilatados pela língua incendiária. Não sei se tinha os olhos abertos ou fechados. Sei que fui transportada para um chão de terra e cactos, para ver uma parte de mim ser tomada por um sertanejo sem nome, celebrando a deusa entre as minhas pernas e no meu ventre, até que eu desse à luz uma nova fé. Depois do gozo, um fio dentro de mim costurou a imagem da mulher sendo amada no meio do sertão estelar. Tecido pouco, insuficiente.  Então eu quis mais. Era preciso saber quem eram aqueles amantes, por que estiveram separados, por que se reencontraram e, afinal, quem era aquela mulher e o que ela procurava?

Receita nova

Imagem
D e costas para o chuveiro e com o olho na rua, porque o banho tinha vista, ela abriu bem as nádegas para deixar a água quente escorrer. Imediato. A dilatação entrecoxas libertou um xixizinho pouco, involuntário. Vento gelado no rosto, frente fria noticiada nos jornais e uma curiosidade silenciosa para saber com quem o mundo seria cruel naquela noite de céu limpo, mas sem coração. Ele esperava no quarto, dez anos mais jovem e intumescido desde as fragrâncias vaporosas que escapavam por debaixo da porta do banheiro. O sangue desvairava em combustão - proximidade do experimento - desejo mundano muitas vezes convertido em orações e agora realizado por algum deus muito generoso. Mais tarde, entoaria aleluias. Vozinha suave, passos molhados. Ela perguntou se ele tinha trazido os doces. Docinhos me deixam feliz, repetia, olhando o tipo de cada um e sorrindo para a receita nova. Tudo surrupiado, que ele não tinha dinheiro para pagar. Sem importância. Os patrões não davam conta do

Exercício sem título - 24.02.19

Imagem
T inha as costas bonitas, eu observava, enquanto ela contava alguma história e eu a massageava. Meu pau murcho e enrugado sobre a bunda pequena e redonda parecia muito sério e concentrado no relato.  "Eu era criança, naquele tempo, não tinha nem uns quinze anos, tenho certeza, quando a vizinha amiga da minha mãe chamou a gente para passar uns dias no Icaraí, na casa de uma tia rica dela. Ela tinha chamado também um amigo, que tinha um bigode grosso, era engraçado e tocava violão, eu me lembro. Eu me lembro porque todas as coisas boas que ele significava deixaram de fazer sentido, da noite para o dia, quando eu soube da notícia. Hum, o que você está fazendo?" Eu não sabia. "É muito bom", ela refletiu, mas com ares muito distantes. "Que notícia?", eu incentivei, massageando, arrancando cravinhos com a unha e olhando as curvas presas sob as minhas pernas. "Pois então. Aquele foi um final de semana desses que não são exatamente feliz

desejo dela

Imagem
À s segundas, as professoras se reúnem para planejar. Cenário sem desagarros, sem aflições. O que você pensa que está fazendo? Não diga nada. Não se comprometa. Faz um rodeio, um floreio. Mas ela não pode saber. Minta. Isso, isso. Minta. Ela não vai te dar ouvidos. Se der, vai ter medo de você. Risada? Só se fosse muita sorte! E o peito dela, redondo, não vai sequer palpitar. Veja você, ingênua predadora, olha para ela como se visse o único lugar que importa no mundo, imaginando a velocidade e temperatura do sangue suculento no pescoço macio. Não seja besta. É noutro que ela pensa, com outro que se deita. Por isso, não fala nada. Espera, não se comprometa. Arranca esta página e joga no lixo mais próximo. É que ela, sentada tão perto de ti, tem os poros longe, o suor noutro país, a penugem noutro hemisfério. Então, minta. Fala pra ela que gosta de um outro também. Mesmo sentindo essa sede, esse calor, esses vapores no meio das pernas, no alto do peito, nas